Especialistas explicam como saber se cão está precisando de companhia e dão dicas para o período de adaptação dos pets
Em algum momento, tutores de cachorro certamente já se perguntaram se o pet precisava de companhia. Os motivos para essa dúvida são diversos, indo desde a culpa pelo animal passar muito tempo sozinho até a crença de que cães, naturalmente, viveriam em grupo.
Contudo, segundo a médica-veterinária Camilli Charmone, especialista em comportamento canino, esse entendimento que cães vivem em matilha é mito.
“Embora descendam diretamente dos lobos — animais que formam grupos familiares —, os cachorros não vivem naturalmente em grupos. O entendimento equivocado de eles precisam de uma companhia canina advém da própria percepção humanizada sobre esses animais. A coletividade é fator implícito à nossa sobrevivência e, não raro, esse pensamento é transposto para os pets.”
É bom para o cachorro ter outro cachorro?
De acordo com o especialista em comportamento canino Gustavo Campelo, muitas vezes, o cão não gasta energia ou não se exercita da forma adequada e buscará interações mais agitadas com as pessoas, o que pode ser interpretado como se ele necessitasse interagir com outro animal da mesma espécie. Contudo, isso não significa que o animal precise da companhia constante de outro pet.
“Morder para brincar ou dar pequenos ‘botes’ de brincadeira são jogos comuns entre cães e podem sinalizar que a atividade oferecida não está sendo suficiente. Uma das formas de aliviar isso seria deixando o pet ter contato com outros cachorros, o que pode ser feito com passeios na praça, parques e cachorródromos, e até mesmo em hotéis ou daycares especializados”, comenta Gustavo.
O adestrador e especialista em comportamento canino Duarte Leopoldo diz ainda que a convivência entre cães traz, sim, alguns benefícios, mas não deve ser encarada como uma necessidade.
“Eles têm benefícios, como interação, descoberta, ter um tipo de atividade que um ser humano não pode proporcionar”, explica Duarte.
Camilli concorda e completa: “É importante diferenciar os encontros eventuais entre os cães da convivência regular entre eles. Os primeiros, que permitem interações casuais, podem ser benéficos para os cachorros. Porém, a convivência continuada tende a ser estressante para animais que não são biologicamente aptos a conviver regularmente com seus iguais, como os cães, embora, obviamente, existam exceções a essa regra”.
